Futebol e IA impulsionam nova profissão: cientista de dados ganha espaço nos clubes


A inteligência artificial trouxe novos protagonistas aos gramados: os cientistas de dados. Diferente do passado, quando treinadores e olheiros baseavam suas escolhas apenas na observação, atualmente algoritmos e grandes volumes de indicadores respaldam quase toda decisão relevante em boa parte das equipes profissionais.

Segundo relatório do portal esportivo Ge, mais da metade dos times da Série A do Brasileirão já utiliza departamentos de analytics para auxiliar processos em setores como scout, fisiologia, análise de mercado e monitoramento contínuo de atletas.

Veja a seguir como essa área vem conquistando destaque e o que faz.

O que faz um cientista de dados em clubes de futebol?

Veja como atua um cientista de dados no futebol.
Imagem: Notícias Concursos

O papel desse especialista abrange desde a coleta e integração de dados vindos de jogos, treinos e dispositivos vestíveis, até a criação de indicadores próprios, painéis de análise e modelos preditivos capazes de antecipar padrões de desempenho. Entre suas principais tarefas destacam-se:

  • Analisar estatísticas detalhadas de partidas
  • Estudar padrões comportamentais e físicos
  • Propor indicadores de performance inéditos
  • Dar suporte à comissão técnica via relatórios e dashboards
  • Usar inteligência artificial para apoiar tanto departamentos médicos quanto de preparação física
  • Fornecer subsídios para contratações e avaliações periódicas de atletas

Como a Inteligência Artificial acelera a tomada de decisão?

Clubes profissionais apostam, cada vez mais, em inteligência artificial para reduzir o espaço da subjetividade. Com machine learning, avanços na análise computacional e fontes diversas de dados, tornou-se viável prever tendências de movimentação, antecipar cenários de jogo e recomendar alterações táticas.

Consultorias como a Ilumeo já apontam a presença do data science esportivo em áreas como:

  • Monitoramento da carga física e mensuração de fadiga
  • Análise automatizada de movimentação em campo
  • Controle técnico-tático durante treinos e partidas oficiais
  • Identificação de reforços a partir de algoritmos que consideram fatores técnicos, físicos e financeiros

Com base em estatísticas e tendências extraídas desses processos, dirigentes tomam decisões mais estratégicas, diminuindo riscos e aumentando a previsibilidade dos resultados.

Caminhos para atuar com dados no futebol

A área ainda é recente, mas já há diversos caminhos de formação. Além dos cursos de graduação mais convencionais, como Ciência de Dados, Estatística, Inteligência Artificial, Matemática e Engenharia da Computação, há pós-graduações e certificações voltadas diretamente para o futebol.

CBF Academy oferece, por exemplo, uma pós-graduação em Análise de Desempenho e Ciências de Dados no Futebol, destinada a gestores e aspirantes a cientistas de dados esportivos. Cursos desse perfil combinam conteúdos tecnológicos, estatísticos e também de gestão esportiva, preparando profissionais aptos a atuar em clubes de ponta.

O que se aprende em especializações voltadas para dados esportivos?

  • Estatística aplicada: compreensão de métricas, probabilidades e indicadores de desempenho
  • Coleta e tratamento de dados: integração de informações de diversas fontes (GPS, plataformas de estatística, sistemas de rastreamento)
  • Lógica de gestão esportiva: estrutura dos clubes, processos de base e fluxos de decisão internos
  • Ética e legislação: privacidade dos dados e uso responsável das informações de atletas
  • Programação: domínio de Python, R ou linguagens similares para criação de modelos e automação de análises
  • Visualização de dados: construção de dashboards e relatórios para facilitar decisões técnicas
  • Machine learning: uso de algoritmos para identificar padrões e prever resultados
  • Big Data: soluções para armazenamento e processamento em escala de grandes bancos de dados esportivos
  • Métricas de alto impacto: avaliação da contribuição efetiva dos atletas durante partidas e campeonatos
  • Recrutamento analítico: cruzamento de indicadores para sugerir potenciais contratações
  • Projetos práticos: resolução de problemas reais dos clubes, desde o monitoramento até a gestão de elenco
  • Desenvolvimento de carreira: habilidades interpessoais e comunicativas em cenários multidisciplinares

Mercado de trabalho: onde estão as oportunidades?

O cientista de dados não fica restrito a clubes de futebol. O mercado já inclui federações, empresas especializadas em tecnologia esportiva, plataformas de estatísticas, startups dedicadas à análise de performance, consultorias, casas de apostas regulamentadas e agências de scouting.

O crescimento das áreas de IA aplicada ao esporte deve criar novas funções e segmentos em constante renovação, tornando-se uma das carreiras mais promissoras para especialistas em tecnologia que desejam unir paixão e trabalho.

Remuneração

Segundo levantamentos recentes, o piso da remuneração média fica na casa dos R$ 7,3 mil, podendo ultrapassar R$ 18 mil para profissionais com mais experiência e atuação em segmentos altamente especializados. Projetos mais complexos e cargos de liderança tendem a remunerar ainda mais, principalmente em clubes de grande estrutura.

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