Imagine não precisar mais gastar horas diante do computador, procurando papéis, conferindo recibos, calculando gastos médicos e tentando preencher corretamente a declaração do Imposto de Renda.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, que o governo federal trabalha para acabar com a necessidade de preenchimento manual da declaração do IR em um prazo de dois a três anos.
Mas como essa declaração automática funcionaria na prática? Quem seria beneficiado? E o que ainda dependeria da conferência do contribuinte? Continue a leitura e entenda os próximos passos dessa mudança que pode transformar a relação dos brasileiros com o Imposto de Renda.
Mudanças planejadas para o Imposto de Renda
O projeto já havia sido antecipado em março, quando Durigan solicitou à Receita o desenvolvimento de um sistema capaz de consolidar automaticamente as informações fiscais dos cidadãos. Esse modelo representa uma transformação na relação entre o Fisco e os contribuintes.
Durante entrevista à Rádio CBN, o ministro destacou:
“Não é justo que, com tantas informações já fornecidas diariamente à Receita, ainda se obrigue o contribuinte a interromper suas atividades para preencher a declaração.”
A expectativa é que, a partir de 2027, sejam ampliados os mecanismos de simplificação e redução da burocracia, e que até 2028 ou 2029 o preenchimento manual seja totalmente substituído pelo modelo automatizado para todos os contribuintes.
Como funcionará o sistema automatizado
O projeto prevê uma conexão em tempo real entre os bancos de dados governamentais e os registros do setor privado. A Receita Federal coletará automaticamente informações como dados bancários, movimentações financeiras e registros de planos de saúde.
Atualmente, cerca de 60% dos contribuintes já utilizam a declaração pré-preenchida, que importa automaticamente rendimentos, bens, investimentos e deduções. O objetivo é que o contribuinte apenas revise e confirme os dados fornecidos pelo sistema.
Declaração pré-preenchida: o núcleo da mudança
A declaração pré-preenchida disponibiliza automaticamente dados recebidos de terceiros, incluindo empregadores, instituições financeiras, planos de saúde, cartórios e informações do eSocial.
Ao acessar a declaração, o contribuinte já encontra campos preenchidos com rendimentos, deduções, bens e direitos. Em 2026, a DIRF não existe mais; essas informações agora são transmitidas principalmente pelo eSocial e EFD-Reinf, em envios mensais das fontes pagadoras.
A grande novidade é a ampliação da declaração pré-preenchida, que agora integra contas no exterior, fintechs, pagamentos de DARFs e dados do núcleo familiar.
Dados já importados automaticamente
- Rendimentos de fontes pagadoras (salários, aluguéis, aposentadorias)
- Deduções médicas e de planos de saúde
- Bens e direitos (imóveis, veículos, investimentos)
- Dívidas e ônus reais
- Renda variável e empregados domésticos
- Contas no exterior e fintechs
Apesar da automação, a Receita enfatiza que o contribuinte deve conferir os dados, corrigir divergências e manter comprovantes para eventual fiscalização.
Restituição automática e benefícios aos contribuintes
Imagem: Notícias Concursos
Segundo Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal, haverá um tipo de “reembolso” do Imposto de Renda 2026 para contribuintes que não precisariam enviar a declaração este ano.
Nesse caso, os valores serão depositados automaticamente em julho, atingindo cerca de 4 milhões de pessoas, com restituição média de R$ 125,00, diretamente via Pix associado ao CPF.
Estatísticas do IRPF 2026
De acordo com Durigan, foram recebidas 44.498.717 declarações, estabelecendo um novo recorde. Os números mostram a dimensão do sistema que o governo pretende simplificar:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Total de declarações entregues | 44,5 milhões |
| Declarações pré-preenchidas | 59,8% |
| Restituições pagas (1º lote) | R$ 16 bilhões |
| Contribuintes contemplados | 9 milhões |
| Restituição automática (julho) | 4 milhões de pessoas |
| Valor médio da restituição automática | R$ 125,00 |
O ministro também destacou que este foi o maior lote de restituições já realizado pela Receita Federal.
Cronograma de pagamentos
O auditor-fiscal José Carlos Fonseca informou que o pagamento do quarto lote de restituições, inicialmente previsto para 28 de agosto, foi adiado para 31 de agosto. Com o segundo lote programado para 30 de junho, mais de 80% das restituições devem ser concluídas até então.
No primeiro lote, mais de 8,7 milhões de contribuintes receberam pagamentos somando R$ 16 bilhões, sendo aproximadamente R$ 8,64 bilhões destinados aos grupos com prioridade legal.
Adaptação das empresas e malha fina
As empresas se ajustaram bem ao uso do eSocial como fonte de dados das fontes pagadoras. Apesar de dificuldades iniciais — com mais de 10% das declarações retidas em malha —, ajustes realizados reduziram o índice para menos de 5%, dentro do patamar histórico.
O limite de rendimentos tributáveis passou para R$ 35.584,00, e a receita bruta da atividade rural para R$ 177.920,00, afetando diretamente o enquadramento dos contribuintes e a necessidade de envio da declaração.
Expectativas para os próximos anos
O governo pretende expandir gradualmente o modelo automatizado, até que o envio manual da declaração se torne desnecessário, tornando o processo mais ágil e simplificado.
Durigan afirma que a declaração pré-preenchida representa um Estado que simplifica e reduz a burocracia, organizando informações já disponíveis e colocando-as a serviço do contribuinte de forma prática, rápida e segura.
Wilton Mota, presidente do Serpro, ressaltou que o sistema brasileiro serve como referência internacional. A transição completa dependerá da capacidade de integração entre bases públicas e privadas e da confiança nos cruzamentos de dados — processo já avançado segundo o Ministério da Fazenda.
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