Aposentadoria de policiais e bombeiros pode ser alterada; projeto vai ao Senado


Uma mudança estrutural na carreira de policiais e bombeiros militares avançou no Congresso e mexe diretamente com a remuneração dessas categorias em todo o país. A proposta aprovada nesta semana na Comissão de Direitos Humanos (CDH) cria um piso salarial nacional unificado, retirando dos Estados a liberdade total para definir os vencimentos mínimos desses profissionais.

A medida nasceu de uma sugestão popular no Portal e-Cidadania, recebeu mais de 20 mil apoios e agora avança como Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O impacto atinge milhares de agentes de segurança pública, além de afetar o orçamento dos 26 Estados e do Distrito Federal, que terão prazo para ajustar a folha de pagamento.

O debate envolve risco profissional, desigualdade regional e a valorização de quem atua na linha de frente da segurança pública. Confira o que foi aprovado, o que ainda falta no trâmite e quais são os próximos passos da proposta no Senado.

O que mudou na aposentadoria de policiais e bombeiros

A CDH do Senado aprovou a transformação da Sugestão Legislativa 14/2020 em PEC. O texto cria um piso salarial nacional obrigatório para policiais militares e bombeiros militares em todo o território brasileiro.

Pela regra aprovada, Estados e Distrito Federal passam a ter a obrigação de pagar um valor mínimo padronizado. A justificativa central do projeto é tratar de forma igualitária profissionais que enfrentam os mesmos riscos, independentemente da unidade federativa em que atuam.

Origem da proposta

A matéria foi apresentada por um cidadão através do Portal e-Cidadania e alcançou 20.753 apoios formais, ultrapassando o mínimo exigido para análise legislativa. Esse é um dos casos em que a participação popular direta move o Congresso Nacional a discutir um tema específico.

A relatoria ficou com o senador Styvenson Valentim (PSDB-RN), que emitiu parecer favorável. Segundo o parlamentar, policiais compõem o grupo profissional com maior taxa de mortalidade em serviço no país.

Como ficaria o piso salarial nacional

O texto prevê que a União defina o valor mínimo a ser pago em todo o Brasil. Cada Estado precisará adequar seus planos de carreira ao novo patamar, respeitando o prazo fixado na futura legislação complementar.

A adequação deve ocorrer até o final do exercício financeiro em que a lei for publicada. Ou seja, se aprovada e sancionada em um ano, o ajuste precisa ser feito no mesmo ano fiscal.

Por que a unificação foi defendida

O relator sustentou que o risco da atividade é uniforme em todo o país. No parecer, Styvenson argumentou que a violência contra agentes de segurança não respeita fronteiras estaduais, e a vida de um profissional não tem valor diferente conforme a região onde ele trabalha.

A presidente da CDH, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), reforçou o argumento ao citar o peso da participação popular na formulação da proposta e a necessidade de reconhecimento salarial uniforme para categorias que atuam em situações de risco diário.

Policiais em marcha, participando de uma operação de segurança nas ruas, em apoio ao projeto do piso salarial nacional.
Aprovação do piso salarial nacional para policiais e bombeiros militares avança no Senado. Fonte: Freepik.

Próximos passos da PEC no Senado

A matéria agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde será avaliada quanto à admissibilidade e à legalidade do texto constitucional proposto.

Tramitação na CCJ

A CCJ funciona como um filtro jurídico. Os senadores da comissão verificam se a proposta respeita cláusulas pétreas da Constituição e se tem coerência com o restante do ordenamento jurídico. Só depois dessa etapa o texto pode ir ao Plenário.

Votação em Plenário

Por alterar a Constituição, a PEC exige quórum qualificado de 49 senadores, correspondente a três quintos da Casa. A aprovação precisa ocorrer em dois turnos de votação, com intervalo regimental entre eles.

Análise na Câmara dos Deputados

Após passar pelo Senado, a proposta será enviada à Câmara dos Deputados, onde seguirá rito semelhante: duas comissões de mérito e votação em dois turnos no Plenário, também com quórum qualificado. Só depois disso o texto pode ser promulgado.

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